Você está livre para o amor?

A visão Sistêmica sobre o relacionamento dos casais vai além das habituais queixas que chegam às consultas iniciais.

Começamos um relacionamento cheios de expectativas, empolgação e certos de que aquela pessoa que está agora ao nosso lado é a resposta para todas as nossas preces e o nosso grande amor.

E o tempo vai passando e as dificuldades vão aparecendo e os primeiros conflitos acontecem. E nós reagimos a estes conflitos de acordo com nossa forma habitual de lidar com estas situações.

A forma que aprendemos com nossa família de origem, nossos pais.

Se na nossa família os assuntos eram resolvidos com dramas, choros, seguidos de mais dramas, reencontros, abraços, beijos, é assim que nós provavelmente agiremos com nosso parceiro.

O desencontro pode acontecer se na família deste nosso companheiro os conflitos eram resolvidos com o silêncio, o afastamento e a falta de contato físico.

E assim ficamos presos em nossos modelos familiares sem a possibilidade de construir algo diferente, pois, inconscientemente, quando agimos de acordo com nossa família, estamos sendo leais e sentimos o vínculo com eles se tornar cada vez mais forte.

Isso reforça então o sentimento de pertencer, de fazer parte de algo. E isso dá segurança.

Mas queremos estar livres para o amor… Qual a saída, então?

A solução para a construção de uma nova relação seria então que ambos, o homem e a mulher, pudessem olhar para suas famílias e procurassem descobrir quais as questões que ainda precisam resolver com elas para ficarem livres para um relacionamento afetivo.

A recompensa, ao eliminar os emaranhamentos familiares pré-existentes, é a possibilidade de ter um relacionamento feliz e poder criar juntos as próprias regras para uma convivência pacífica e harmoniosa…

Parece óbvio, mas para que isso aconteça, colocamos em risco nosso sentimento de pertencer à nossa família e isso é muito difícil.

A nossa ligação com nossos pais e ancestrais tem uma força muito grande, mesmo que não estejamos conscientes dela.

Durante uma Constelação, podemos ver a quem estamos ligados profundamente por laços de lealdade e amor. Porém este amor é o que chamamos de amor cego, infantil.

Este amor acredita que se nós pudermos ajudar a aliviar as dores e as cargas das histórias dos nossos pais estaremos ajudando eles de alguma forma.

Só que isto não é verdade.

Quando tentamos carregar algo que não é nosso, o que acontece realmente é que duplicamos o peso deste problema e ainda deixamos nossos pais infelizes, pois eles nos querem bem e livres para uma vida plena e feliz.

Há algum tempo atendi uma mulher jovem, casada faz 5 anos, que trouxe a seguinte questão para trabalharmos numa Constelação individual:

O seu casamento não estava bem, pois seu marido se envolvia muito pouco com ela e o filho de 3 anos. Sempre que ela tentava conversar com ele, ele se mostrava distante e frio. E ela ficava mais nervosa e cobrava mais ainda.

Quando pedi para que ela montasse a imagem de como ela sentia sua situação atual, colocando representantes para ela, o marido e seu filho, o que apareceu foram os dois adultos, marido e mulher, de costas um para o outro, olhando pra fora e o filho olhando para os dois.

Para mim, em razão da experiência neste trabalho e das conversas que tivemos durante esta sessão, conseguimos ver que ambos olhavam para suas famílias de origem e ainda estavam ligados às suas historias como filhos. Portanto, não estavam disponíveis para se olharem como marido e mulher. E, ainda mais difícil, muito pouco presentes como pai e mãe do pequeno garoto de 3 anos, que olhava perdido procurando por seus pais. E ainda percebemos que todas as cobranças que ela fazia para ele não eram possíveis de serem respondidas, pois ele realmente ainda não estava pronto.

A solução neste momento foi olhar para esta cena, poder respeitar e entender a sua dinâmica pessoal e também a dinâmica de seu parceiro olhando para ele e dizendo:

– “Caro marido, agora eu te vejo. Eu também não estive muito presente no nosso casamento. Eu sinto muito. Ainda estou muito envolvida nas historias da minha família. Eu vou olhar para isto e assim poderei estar disponível para você, como sua mulher”.

Neste momento o marido sente-se reconhecido, visto e entendido e pode também dar um passo em direção à solução dizendo:

– “Querida esposa, eu também não estive muito presente para você. Eu tenho coisas minhas e da minha família para olhar, e isso não tem nada a ver com você. Eu sinto muito”.

E assim eles podem iniciar um diálogo diferente.

E também olhar para o pequeno de 3 anos e dizerem para ele:

– “Querido filho. Nós somos os seus pais. E amamos muito você. Nós resolveremos nossas questões. Mas para você nós seremos sempre seus pais. Agora olharemos para você com mais atenção”.

E assim também a criança pode ser compreendida e olhada.

Um casal que ainda está emaranhado com sua família de origem não está disponível para seu casamento e nem para seus filhos. E nos relacionamentos dos quais participa vive repetindo as dinâmicas originais de sua história com seus pais.

Quando primeiro buscarmos uma solução para nossas questões com a nossa família de origem ficaremos mais livres para dar início a uma nova história com regras e dinâmicas que serão construídas a partir das pessoas que formam esse casal.

E assim podemos dar continuidade àquilo que recebemos de nossos pais. A vida!

Talvez você ainda esteja presa em suas histórias pessoais e não disponível para um amor.

Talvez esteja na hora de você olhar para dentro de você e não mais procurar no outro a causa de sua infelicidade.

Quando podemos abrir mão do amor cego, podemos olhar para algo maior, o amor que cura.

Conheça mais sobre o trabalho de Constelação Familiar aqui:

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